
ISCAS DE PEIXE-PIÇA - um tratado sobre o erotismo
espectáculo criado em 2005 e apresentado na Galeria ZDB e no Maxime (Lisboa)
porque é próprio da natureza humana sexualizar o universo
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Não se trata de um espectáculo erótico mas sim de um espectáculo sobre e sob o erotismo, no intuito de abordar o erotismo não pelo lado sedutor e mediático da temática mas numa reflexão desmistificada do erotismo aproveitando a riqueza humana dessa matéria e o seu potencial estético. Pretende-se assim um afastamento das questões éticas que usualmente se manifestam pela subversão de uma moral castradora e que pela sua antítese não mais é libertada.
Pretende-se desprestigiar a fascinação do “mal”, atitude de uma moral que em vez de livre é virada do avesso. O resultado é, nos tempos que correm, a fascinação inconsciente pela vida erótica do outro através da qual se pode, sem o peso da limitação moral, fantasiar mais do que em relação à própria vida. O voyeurismo gerador de uma banalização da vida erótica - falsamente democratizada - veio anular a sua faceta intrínsecamente estética.
É próprio da natureza humana “sexualizar o universo”. Na sua artificialidade (naturalmente humana), deslocar o sentido da realidade objectiva, ser simbólico, imaginar, fantasiar.
“Um homem que ignora o erotismo é tão estranho quanto um homem sem experiência interior.” Georges Bataille
Concepção: Andresa Soares Criação e interpretação: Andresa Soares, Carlos Monteiro e Sara De La Féria Banda Sonora: João Lucas Figurinos: João Paulo Assunção Desenho de Luz: Gonçalo Ventura Ribeiro